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Fernandes Braga

domingo, 3 de julho de 2011

20h30 é a hora da morte em Natal

20h30. Esse é o horário em que os homicídios ocorrem em maior frequencia em Natal. A média foi feita levando em consideração o primeiro semestre deste ano e os dados são da Secretaria Estadual de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed). Dos 144 crimes desse tipo ocorridos na capital do Rio Grande do Norte, cerca de 10% foram cometidos entre 20h e 21h. Os dados são da recém-criada Subcoordenadoria de Estatística e Análise Criminal (Seac) da Sesed e revelam qual momento o cidadão está mais vulnerável à violência.

rodrigo senaPara Cel. Araújo, crimes estão relacionados com tráfico de drogasPara Cel. Araújo, crimes estão relacionados com tráfico de drogas
Para o comandante da Polícia Militar do Estado, Coronel Araújo, os números estão diretamente relacionados ao tráfico de drogas na capital. "A maioria dos homicídios ocorre em consequência de endividamentos com traficantes. O criminoso escolhe o período da noite para acertar as contas porque é mais difícil ele ser reconhecido por possíveis testemunhas. Quase sempre, a vítima é atingida após ação de uma dupla usando moto", afirma.


O titular da Delegacia de Homicídios (Dehom) da Polícia Civil, delegado Marcos Vinícius dos Santos, é mais cauteloso na avaliação dos dados. "Uma empresa já fez um levantamento com relação ao horário e dias que ocorrem mais crimes em Natal,  mas ainda não nos debruçamos sobre essa pesquisa. Precisamos estudar e analisar com cautela quais as causas e influências que levam aos crimes de morte", diz. Porém, o delegado afirma que geralmente as mortes estão relacionadas ao dinheiro. "Posso dizer que a grande maioria dos assassinatos são por causa de dinheiro. Seja dinheiro do tráfico ou não".

Os números da Seac revelam ainda que foram nos fins de semana os dias mais violentos do primeiro semestre. 17,2% dos homicídios aconteceram aos sábados. Esse percentual chega a 19% aos domingos. Por outro lado, com apenas 8,2% dos registros, as quintas-feiras aparecerem como sendo os dias menos violentos.

Para Coronel Araújo, a explicação recai novamente sobre o consumo de drogas. Nesse caso, além das drogas consideradas ilícitas, o uso do álcool também é associado à violência. "O número de homicídios aumenta nos fins de semana porque nesses dias o traficante está em casa e há um aumento no consumo de drogas. Há também um aumento no consumo de álcool em festas, bares e restaurantes da cidade", pondera. 

O ano de 2011 começou violento. Com quase um homicídio por dia, janeiro registou a impressionante marca de 29 assassinatos. Em segundo lugar no "ranking da morte", aparece o mês de abril com 28 crimes com morte. Contabilizando treze homicídios, o mês de março foi considerado tranquilo em relação aos demais cinco meses do primeiro semestre deste ano. "Janeiro é o mês em que acontece muitos acertos de contas. O usuário, por conta das festas de fim de ano, Carnatal, consome uma quantidade maior de droga. Ele deixa uma conta não paga.  No mês seguinte, o traficante vai atrás. Se o usuário não tiver dinheiro, paga com a vida", explica Coronel Araújo.

A diminuição de casos no terceiro mês do ano, segundo o comandante, deve-se ao fato da polícia estar mais presente nas ruas através da chamada "Operação Verão" e as festividades do carnaval. Se a presença da polícia na rua diminui a quantidade de homicídios, é natural pensar que a solução é simples: colocar policiais nas ruas. Não é bem assim. Coronel Araújo explica que muitos assassinatos ocorrem independente da presença do policial. "Esses crimes, especialmente os de acertos de conta, independem da ostensividade da polícia. É preciso que a polícia judiciária investigue os casos para se achar uma solução", afirma.

Marcos Vinícius, da Dehom, explica que o tempo de investigação de um homicídio é muito relativo. "Há casos que resolvemos no mesmo dia, no local do crime. Em contrapartida, outros demoram cerca de um ano e continuam sem solução. Depende muito do local, de como o crime ocorreu".

Movimentação no Itep cresce à noite

As informações da Subcoordenadoria de Estatística e Análise Criminal (Seac) da Secretaria Estadual de Segurança Pública e da Defesa Social (Sesed) apontam o intervalo entre 20h e 21h como o mais violento. Porém, o gráfico gerado pelos números aponta uma curva acendente a partir das 18h. Quando o sol baixa e a noite se aproxima, o perigo sai às ruas. Apesar disso, os números deste ano, mostram uma redução da criminalidade em comparação com o ano passado.

A ostensividade da polícia militar é apontada como a causa da redução. Durante a última semana, aconteceram alguns casos. Na quarta-feira, por volta das 18h, a polícia registrou um duplo homicídio nas proximidades da Casa do Estudante, na comunidade do Passo da Pátria, zona Leste de Natal. Um homem conhecido como "Cigano" e Lucimari da Silva Lopes, de 35 anos, foram mortos a tiros quando se encontravam em uma moto, na avenida do Contorno.

De acordo com a Polícia Militar, "Cigano", cuja identidade não foi confirmada, foi atingido na cabeça e faleceu no local, enquanto Lucimari da Silva, alvejada nas costas, chegou a ser socorrida para o pronto socorro Clóvis Sarinho, mas também não resistiu aos ferimentos. A PM suspeita de crime de execução devido a dívidas com traficantes.

Apesar dos números deste ano serem alarmantes - uma média de 0,8 homicídios por dia - a Polícia Militar do Rio Grande do Norte (PMRN) comemora uma pequena redução com relação aos dados do primeiro semestre de 2010. Nos primeiros meses do ano passado, a Sesed contabilizou 155 homicídios em Natal. Houve redução de 7,1% nos casos. Se comparados os dados da Região Metropolitana de Natal (composta por dez municípios), a redução é maior. "No primeiro semestre de 2010, tivemos 278 homicídios na Grande Natal. Esse ano, esse número é 13,4% menor, ou seja, foram 232 assassinatos este ano, até o dia 30 do mês passado", revela Coronel Araújo, comandante da PMRN.

O comandante credita a redução dos indicativos ao fato de que houve uma "evolução do trabalho ostensivo da polícia". O titular da Delegacia de Homicídios (Dehom), Marcos Vinícius, acredita que a redução permanecerá durante esse segunda semestre. "Acredito que vamos manter essa média, mas a expectativa é de haja uma diminuição dos homicídios", diz.

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