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Fernandes Braga

sexta-feira, 19 de agosto de 2011

Caça-níqueis se espalham

As máquinas estão em bares, cigarreiras, lan-houses. Chamam atenção pelos prêmios que são prometidos e pela fácil maneira pela qual se aposta. Apesar de serem considerados ilegais, os caça-níqueis se espalham pela cidade. Não é difícil encontrá-los. Do bairro do Alecrim, passando pelas Quintas, Bom Pastor e Cidade da Esperança, as máquinas atraem jogadores e dão lucro aos proprietários. A polícia garante o empenho na investigação e apreensão dos equipamentos.

"O problema, moço, é que o povo brasileiro se aviceia muito rápido", argumenta o proprietário de um bar no bairro da Cidade da Esperança. Mesmo sabendo que disponibilizar os caça-níqueis para jogo configura contravenção prevista no artigo 50 do Código Penal Brasileiro, os proprietários não se mostram temerosos em passar informações do funcionamento do esquema. A conduta,  passível de pena de três meses a um ano de prisão além de multa, também pode ser enquadrada como crime contra a economia popular uma vez que as vítimas são particulares, que têm suas economias fraudadas.

As informações que serão relatadas a partir de agora foram repassadas pelo dono de um bar, que terá a identidade preservada pela reportagem. "Moço, aqui na Cidade da Esperança, a maioria das máquinas são distribuídas pela mesma pessoa", contou. Segundo o homem, esta mesma pessoa identificada apenas como "Gilberto", disponibiliza as máquinas caça-níqueis para os estabelecimentos em troca de 70% do lucro decorrente. "Mesmo assim, ainda dá pra tirar mais de um salário mínimo por mês. Ajuda a pagar a luz e uma parte dos funcionários", relata.

Há cerca de três anos, o proprietário foi um dos alvos da polícia e teve as máquinas apreendidas dentro do seu estabelecimento. "Respondi a um processo e paguei cestas básicas. Há uns três meses, vieram oferecer de novo e aceitei. Complementa a renda". O homem defende a legalização das máquinas. "Seria uma forma de aplicar impostos. Tem que legalizar isso. Joga quem quer, não obrigo ninguém".

Última operação ocorreu em 2008

A Delegacia Especializada de Costumes é o setor da Polícia Civil responsável pela investigação de crimes ligados aos jogos de azar. O titular, Correia Júnior, garantiu em entrevista ontem o empenho das equipes de segurança pública contra de delitos dessa natureza. "Estamos atentos à prática dos jogos de azar. Somente durante esta semana, realizamos duas apreensões: em Lagoa Seca e no CCAB Sul", afirmou o delegado.  Os proprietários dos estabelecimentos foram autuados e forneceram informações sobre os "agenciadores" que distribuem os equipamentos. "Várias pessoas estão agindo no Estado. Acreditamos também que há nomes de fora do Rio Grande do Norte envolvidos", disse Correia Júnior.

Operação

A maior e mais recente operação da Polícia Civil contra jogos de azar no Estado ocorreu no ano de 2007, quando 616 caça-níqueis foram apreendidos durante a "Operação Niquelândia". Conduzida pelo então titular da Delegacia Especializada de Costumes (DEC), Odilon Teodósio, a investigação desmantelou o esquema que envolvia proprietários de bares e "agenciadores" deste tipo de equipamento. Apesar da grande repercussão que teve na época, o documento não foi suficiente para que o MPE oferecesse denúncia à Justiça contra os envolvidos. Em março do ano de 2008, uma nova operação, a "Halloween" , retirou das ruas outros 316 aparelhos, além de fechar um cassino que oferecia de roleta a mesas de carteado. 

A deficiência nos serviços de perícia oferecidos pelo Instituto Técnico-científico de Polícia (Itep) podem voltar a comprometer investigações policiais. As carências do órgão já são conhecidas. Em 2007, os caça-níqueis apreendidos tiveram que passar por perícia na Polícia Federal para se comprovar a classificação de "jogo de azar".

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