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Fernandes Braga

domingo, 25 de março de 2012

Um encontro com o Sgt. Emanoel em Lages Pintada. Um policial perdido em meio aos discursos de lamentações...

Um encontro com o Sargento Edmilson Emanoel
Delegacia de Lajes Pintada

O Grupo de Apoio à Execução Penal do Rio Grande do Norte iniciou a primeira inspeção prisional do ano. As atividades do GAEP se concentram em várias frentes com a finalidade de produzir relatórios que descrevam a realidade do sistema penal estadual. Com este objetivo, realizamos inspeções de surpresa. Várias delegacias de cidades pequenas estavam na rota daquele dia.

Sgt Emanoel
Entre os policiais, o discurso da falta de estrutura segue um ritual de súplica às autoridades. Convencido de que cabia ao Estado providências urgentes para aparelhar os destacamentos militares do interior, chegamos a uma delegacia sem internet. Outra reclamação era de que não havia sequer linha telefônica. Em duas unidades não havia nem policiais para nos receber. Em mais outra, a viatura tinha escrito o número telefônico da polícia na poeira concentrada sobre o vidro traseiro!

O desânimo de todos somente terminou quando chegamos à pequena cidade de Lages Pintada. Fomos recebidos pelo Sargento Edmilson Emanuel, cujo discurso surpreendeu a todos. Sabíamos que ele poderia correr nos dedos todas as deficiências do destacamento; afinal estava diante de um juiz pronto para ouvir reclamações.
Viatura suja
Não foi o que aconteceu. A viatura estava em boas condições, disse o Sargento logo de início, andando num ritmo totalmente diferente dos seus colegas. Não reclamou do armamento? As paredes estavam pintadas e havia identificação escrita na frente do prédio. Logo na entrada um sofá estava ali como que esperando quem chegasse. Não ouvi a costumeira reclamação da falta de internet. Pelo contrário, o Sgt. estava cadastrado no INFOSEG, o que foi uma surpresa, porque noutra delegacia houve policial que nem sabia o que era este sistema de busca de dados.
Interior de uma delegacia
No ambiente simples, a companhia estava organizada nos mínimos detalhes e sem objetos empoeirados largados ao desdém. Nos fundos do prédio, encontrei uma pequena academia para exercícios. Uma parede estava praticamente coberta com certificados de cursos, um dos quais registrando participação em treinamento de policiamento comunitário.

Delegacia fechada sem nenhuma identificação
Depois de mostrar todo o prédio e dizer que dentre em breve estavam de mudança para um local melhor, o Sargento encerra a conversa relatando sucintamente seu trabalho junto à comunidade. Disse que mantinha controle para manter o hábito da população quanto ao uso de capacetes, especialmente porque ali a motocicleta era o principal meio de transporte. Antes de deixar a cidade, tivemos a inquietação de confirmar este relato. Todos os motociclistas vistos usavam capacetes! Saímos nos perguntando por que nas outras cidades não havia o mesmo? Certamente existem muitos outros Sargentos como Emanoel no interior do Estado, mas eles estão perdidos em meio aos discursos das lamentações. 

Blog u_inverso do direito - Dr.Fábio Ataíde - Juiz de Direito

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