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Fernandes Braga

sábado, 7 de abril de 2012

POLÍTICA | Paraísos artificiais

PRECATÓRIOS/PASSAGENS DE TREM E DINHEIRO ESTRANGEIRO LEVAM MP E PROCURADORIA DO ESTADO A INVESTIGAR POSSÍVEL CONTA DE CARLA UBARANA NA SUÍÇA

Texto: RAFAEL DUARTE DO NOVO JORNAL

O DINHEIRO QUE a ex-chefe da divisão de precatórios do Tribunal de Justiça, Carla Ubarana, devolveu ao erário para sensibilizar a Justiça e tentar abrandar a pena ao final do processo pode ser pouco diante do montante desviado. O Ministério Público e a Procuradoria Geral do Estado, que apuram o escândalo dos precatórios no TJ, abriram investigação para saber se parte do dinheiro roubado foi depositada em paraísos fiscais. Estima-se que a quantia desviada ultrapasse R$ 70 milhões.

Uma fonte ouvida pelo NOVO JORNAL que trabalha diretamente na investigação informou que na documentação de Carla Ubarana apreendida pelo Ministério Público foram encontrados vários bilhetes de trem saindo de Paris com destino à Suíça. Num período de dois anos, durante o tempo em que dirigiu o setor de precatórios do TJ, Ubarana viajou quatro vezes para o país conhecido pela rigidez nas leis que resguardam os sigilos das contas bancários.

A quantidade de viagens num espaço curto de tempo alertou tanto promotores como funcionários do governo que tentam reaver o dinheiro para o erário. “A Suíça não é um país onde você vá quatro vezes num espaço de dois anos. Encontramos vários bilhetes de viagem para a Suíça, o que nos leva a achar que ela possa ter depositado o dinheiro do desvio em contas de paraísos fiscais”, disse.

Além das passagens de trem, Carla Ubarana chamou a atenção dos investigadores quando, entre dinheiro em espécie e os bens que entregou à Justiça, devolveu 5.050 francos suíços, justamente a moeda oficial da Suíça. Ao todo, ela e o marido George Leal, que estão em prisão domiciliar há duas semanas, se comprometeram a devolver R$ 4,7 milhões em patrimônio material adquirido durante os cinco anos em que Carla chefiou a divisão de precatórios, além de R$ 226.024 em espécie (reais, dólares e francos-suíços).

“Estamos levantando a possibilidade concreta de que ela tenha contas no exterior. Acreditamos que Carla Ubarana não tenha devolvido o dinheiro completo”, afirmou a fonte.

Para constatar os indícios de que a ex-chefe da divisão dos precatórios do Tribunal de Justiça usufruía de paraísos fiscais, uma equipe vai a São Paulo conversar com técnicos da procuradoria municipal de São Paulo que conseguiram rastrear parte do dinheiro desviado pelo ex-prefeito Paulo Maluf.

Em 2011, dez anos depois do Brasil informar ao governo suíço sobre as movimentações suspeitas de Maluf, a Suíça bloqueou R$ 21 milhões do hoje deputado federal. A estimativa, no entanto, é de que a família Maluf teria cerca de 100 milhões.

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