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Fernandes Braga

segunda-feira, 7 de maio de 2012

O novo presidente francês será como o violino: pega com a esquerda e toca com a direita?

Do editor

No primeiro momento a impressão é de que a vitória do socialista François Hollande na eleição da França confirmará a máxima política, de que governar é como tocar violino: se pega com a esquerda e se toca com a direita.

No Brasil ocorreu exatamente isto. A política neoliberal de FHC, assim qualificada pelo PT, foi inteiramente incorporada ao receituário do governo de Lula e de Dilma.

O mundo se espantou, quando Lula convidou para gerir o Banco Central um “tucano”, recém-presidente de um Banco internacional (o Banco de Boston), exatamente uma das instituições privadas mais condenadas nos palanques do presidente recém-eleito. Lula e Dilma agiram certo.
A economia nacional se manteve em crescimento e estável, justamente pelo bom senso de ambos, ao continuarem a tocar o violino com as cordas que diziam ser da direita.

A França hoje está dividida entre os socialistas, a direita e a ultra-direita, que se assemelha a práticas neonazistas, sobretudo em relação aos imigrantes.

Sarkozy conseguiu, de última hora, uma boa fatia da direita e ultra direita. Mas não foi suficiente. As contradições durante o mandato tiraram-lhe a credibilidade dessas facções, que preferiram ajudar a vitória de Hollande, na certeza de que será mais fácil derrotá-lo no futuro, começando em junho próximo nas eleições parlamentares.

Na política perder muitas vezes significa preparar um sucesso posterior.

A pergunta é se agora Hollande seguirá o mesmo caminho. Depois das eleições, os mercadores de sonhos usam palavras ou expressões sinônimas para justificarem mudanças do discurso usado na campanha.

Habilmente, a chanceler alemã, Angela Merkel, dias antes da vitória de Hollande, já abriu a porta para diálogos futuros, ao declarar que aceitava discutir a agenda dss crescimento, justamente o nó górdio do discurso da oposição francesa.

Discutir não significa anular. O pacto fiscal para reduzir o endividamento público foi firmado por 25 países dos 27 que formam a União Europeia, depois de vários estudos e análises que demonstraram não ser possível vencer a crise apenas através dos cortes de gastos.

Será que Hollande pretende reinventar a roda, ou terminará declarando que conseguiu o seu objetivo pela aparente abertura do diálogo com a senhora Merkel?

Outro aspecto político relevante é saber se em junho Holllande terá maioria no Parlamento francês para avalizar as suas posições. Ele venceu as eleições, diante de uma atual maioria congressual de centro-direita de 55%.

As eleições de junho próximo – Câmara e Senado – poderão gerar situação política semelhante a do também socialista François Mitterrand, que não alcançando maioria “engoliu” um primeiro ministro de centro-direita.

Holande é pragmático e ponderado. Ele pratica a arte de síntese. Dessa forma, eliminou muitos de seus oponentes. Tudo inteligentemente, sem que ninguém percebesse. Revela a nostalgia de sua infância na Normandia. É um provinciano típico, até nas preferências culinárias e no costume de discutir políticas nos bares da sua cidade.

Segundo o “Le Monde”, ele teve a vida convencional da classe média católica, entre almoços de domingo e aulas em instituições privadas, nunca quebrando o ritmo tranquilo de quem viveu longe de Paris.

Ele sempre concorda com as pessoas e lentamente as sufoca, dizem os seus críticos.

Tudo poderá acontecer na Europa. A causa não será apenas a vitória de Hollande.

A própria Merkel na Alemanha enfrenta insatisfações e já perdeu eleições regionais.

Na Grécia, o protesto se generalizou nas eleições recentes do parlamento.

Na Itália, cresce o movimento “anti política”, o que é perigoso na terra do fascismo.

É o caso de lembrar: “em casa que falta pão todos brigam e ninguém tem razão”.

Este cenário será do velório do “euro”? Ninguém pode dizer sim, nem não!


Fonte: Blog Ney Lopes

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